Crónicas de um trolha

Sou aquele que antes,durante e depois de uma pinadela gosta de fumar um cigarro

Monas lisas

com 4 comentários

Não percebo nada de política. Aliás, eu e o Paulo Portas. Mas ninguém me pode impedir de opinar sobre o assunto. Porque, para infelicidade do governo PS, vivemos numa democracia. Além do mais, estabeleci uma meta pessoal: ultrapassar o Pacheco Pereira no que a opiniões néscias concerne. Eu sei que é uma tarefa difícil, mas ultimamente tenho assistido ao Sexta à Noite, com o José Carlos Malato – que me tem permitido recolher grandes ensinamentos de como os imbecis se comportam.

Segundo os especialistas (militantes do PCP, certamente), a manifestação, no passado fim-de-semana, dos professores foi um sucesso. Mas em quê, pergunto eu? No número que aderiu à «Marcha», só pode! Ou no número de respostas sem substância às perguntas dos jornalistas. “Em que ponto não concorda com o método de avaliação”, perguntava um jornalista. “A Ministra devia demitir-se”, resmungava um professor. Eram estas as respostas dos que ensinam o Futuro de Portugal.

Onde é que quantidade pode ser considerada sinónimo de sucesso? Basta observar o nosso Governo. A quantidade de chulos que são mobilizados para lá e o sucesso deste país é como o TGV: nunca mais aqui chega.

O sucesso desta manifestação, atrevo-me a dizer, não foi nenhum. Na segunda-feira, ao contrário do que Mário Nogueira, da Fenprof, pensava, a Ministra não foi tirar senha para o Centro de Emprego. Nada mudou. Como também não mudou nada para os professores. Continuaram a simular aulas. Alguns (o número tende a aumentar) continuaram a ser agredidos por alunos que continuam a irritarem-se quando alguém os interrompe no momento em que estão ao telemóvel com o colega da carteira ao lado.

Mas esses 100 mil ingénuos (o jargão técnico que uso entre amigos é outro, mas não pode ser reproduzido aqui) julgavam que o Primeiro-ministro iria ceder, como aconteceu no caso do Ministro da Saúde, a mais uma manifestação de rua? Era óbvio que não. Isso seria uma genuflexão perante as vozes dissidentes, que acusam o Governo de andar à deriva. E a voz suave do Sócrates, nas suas últimas aparições públicas, não lhe valeria de nada.

Porém, quem poderá ter sido beneficiado com esta marcha é o Luís Filipe Menezes que, no intervalo da desfragmentação do PSD, num acto populista, afirmou estar solidário com a classe docente. 100 mil é um número que não merece despiciendo se estivermos a falar das eleições de 2009. (Se as minhas previsões não estiverem erradas, 2009 será o ano da coligação PSD/PCP. Cruzes canhoto!)

No início da crónica aludi à democracia. Mas não fui democrático ao não inserir os alunos no problema. Como tal, e penso que são os alunos os maiores interessados na melhoria do ensino, acho que deveriam ser eles a outorgar ou não o método de avaliação proposto pela Ministra. Para isso bastava pedir aos alunos das EB´s do nosso país que, numa frase, expressassem a sua opinião sobre os professores.

As frases dos alunos com opiniões favoráveis não andariam longe de frases como esta: “Os professores merecem todo o nosso respeito, já que são eles que nos formam para o futuro.” Contudo, os alunos mais pessimistas escreveriam algo do género: “Os stores ção unx pregissozos,unx fdp.” Mais erro menos erro.

Creio, no entanto, que haveria uma grande divergência entre as opiniões favoráveis e as negativas. O que aconteceria à proposta da Ministra? Teria valido a pena a manifestação dos professores?

Escrito por Zé Trolha

Março 15, 2008 às 9:43 pm

Publicado em Actualidade

4 Respostas

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  1. ???foooodasse!!! Ora espera, deixa-me ir ali cortar os pulsos e já volto!!!… Sempre gostaria de descobrir o que aconteceu ao Trolha de mi corazon… Foste abduzido?!

    Fallen, The Countess

    Março 19, 2008 em 3:15 am

  2. Mais um texto com questões pertinentes e humor apimentado.
    Mas respondou-te a tudo nesta frase: “Nesta vida, vale sempre a pena lutar por aquilo que acreditamos!”, não sei quem disse mas é porreira pá!
    abraço e boa páscoa.

    Casemiro dos Plásticos

    Março 21, 2008 em 7:12 pm

  3. Ó Zé… Acho que andas a ver televisão a mais. Sobretudo, noticiários…

    Não fui à manifestação, porque viria de lá doente, de tão cansada que ando. [Para além de detestar ajuntamentos e chama-me o que quiseres, que eu já estou habituada...]
    Mas esperei, ansiosamente, pelo que já imaginava: uma cobertura dos canais televisivos, muito idêntica [ou o governo não andasse a apaparicá-los a todos até às eleições].

    Porque não filmaram o interior dos autocarros que levavam professores do secundário, por exemplo?
    Em vez disso, ouvimos as educadoras de infância a falarem dos croquetes e dos rissóis, muito contentes por estarem de “passeio” até à capital!…

    Porque seleccionaram respostas imbecis? Sim, porque não foram só respostas imbecis que filmaram e eu até sei…

    Porque deram tanto enfoque às vozes dos dirigentes sindicais? Tomaram os sindicatos ter 1/20, sequer, do número de professores que se manifestaram!!… A maior parte daquela massa humana não é sindicalizada por diferentes razões…

    A história da indisciplina na sala de aula é um caso semelhante…

    Já te li mais profundamente crítico e mais saudavelmente desconfiado das aparências.
    De qualquer modo, aí vai um beijo

    e um até breve

    Um Ar De

    Março 22, 2008 em 1:08 am

  4. Um Ar de,
    tens razão: vejo muitos noticiários. Mas também leio muito. Contudo, e porque é sobre isso que escrevi, também lido muito com professores. De todo o tipo. Os que estão desempregados, os que estão a estagiar, os efectivos e os reformados.
    Então acho que ,por mais redundante que seja a minha opinião quanto a essa classe, tenho o direito a mostrá-la.
    Eu concordaria com qualquer manifestação dos professores se a luta fosse contra o trabalho precário,etc., mas neste ponto não concordo. Tu mesma, e escusas de o negar, quantas vezes pensaste, numa repartição pública, “Que tipo mais incompetente!Nem sei como este ótario está neste serviço?!”. Percebes onde pretendo chegar. Chega de facilitismos.Ponto final.
    Quanto às respostas destes, acho que não foram caucionadas pela imprensa. Como te disse em épigrafe, lido com muitos professores e olha que as respostas deles não andaram muito longe das que passaram na Tv.

    Zé Trolha

    Março 22, 2008 em 7:05 pm


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