Crónicas de um trolha

Sou aquele que antes,durante e depois de uma pinadela gosta de fumar um cigarro

Este país não é para professores

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Parece que a enésima transmissão do vídeo “Dá-me!Senta-te.” entre uma professora e uma aluna,do liceu Carolina Michaelis, causou náuseas a muito boa gente. A mim aconteceu precisamente o contrário. Pude concluir, para minha satisfação, que não preciso recorrer aos préstimos de uma oftalmologista nos próximos tempos. Vi na enésima vez o que vi na primeira: uma aluna a tentar recuperar um bem pessoal. Em momento algum vi um insulto ou agressão. “Os meios justificam os fins”, escreveria outra vez  Maquiavel. Concluí, isso sim, que a professora até pode falar francês e tocar piano, mas não percebe nada de contas (requisito obrigatório para quem quer se candidatar a Primeiro-Ministro). Caso contrário teria calculado a sua massa corporal e em comparação com a da sua adversária chegava à sensata ideia de chamar um contínuo.

Os azémolas do costume, leia-se professores e PSD, no seu habitual estado apopléctico, levaram o caso a um termo de comparação com uma obra de Stephen King. A rapariga é um demónio. O terror. Ai que horror. Resultado da pressão: a miúda foi transferida de escola. E com ela a sua suposta falta de educação. Se ela enfardar outro professor na sua nova arena, perdão, escola, não há problema. Muda de escola outra vez. E no Porto não faltam escolas, não é?! Esta decisão, apoiada pelo Sr. Pinto Monteiro, adquire o mesmo nível de prudência que a última para acabar com o insucesso escolar: transitar de ano alunos que mal sabem escrever o próprio nome. Depois admiram-se que os alunos sejam todos uns ministros. Ou seja, uns analfabetos. Sim, vivemos num país em que «ministros analfabetos» é mesmo um pleonasmo.

Só espero que na nova escola a miúda tenha um colega de turma com vocação para realizador como o outro (nem Wim Wenders filmou Lisboa assim. Que intimidade. Que realismo.). E já agora, que escolha outro professor que não de Línguas. Um de Ed.Física, por exemplo. Dão mais luta. E aí, sim, veremos um vídeo em que um professor é agredido. Vê lá isso, moça. Pelo menos uma vez na vida gostava de defender a classe docente. Só para ver qual é a sensação.

Written by Zé Trolha

Março 30, 2008 at 12:21 am

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Luz!Câmara!Acção!

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“Dá-me o telemóvel,já!”, disse uma futura namorada de jogadores de futebol à sua professora de Francês. O imperativo da frase não deixava alternativa, mas a professora resolveu impor-se. Resultado: uma humilhação. Corrijo: duas, se contarmos com a última manifestação da classe docente – em que a sua imposição contra a Ministra de nada lhes valeu. Tenho para mim que há uma certa dificuldade por parte dos professores em cumprir ordens.

Ao contrário da generalidade das pessoas, não me espantei com a cena de pugilato aluna vs professora. Espantei-me, foi, com a hipocrisia que isso gerou: “Meu Deus, o Ensino está assim?”. Também me espantaria se a luta tivesse a professora como vencedora. 

Ditam as estatísticas que muitos dos alunos são ignorantes. Inclusivé, que alguns não sabem quem foi o autor dos Lusíadas. No entanto, assimilaram o poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” do Luís de Camões. E é apoiando-se no significado da palavra «mudança» que agora fustigam eles os professores, precisamente o contrário do que acontecia há uns anos atrás.

No caso concreto do que se passou no liceu Carolina Michaelis, não querendo ser superficial – mas as evidências assim me obrigam – a professora, a qual não me suscita qualquer mesura, errrou. Primeiro, por tentar subtrair algo pela via da força, quando a sua posição como professora lhe oferece outros métodos de autoridade. Expulsar a aluna que perturba a aula, por exemplo. Segundo, porque só ao fim de uma semana é que apresentou queixa. ( E porque a contenda foi filmada por um aluno atento à aula.)

E porque de Eduardo Sá não tenho nada, para entender os alunos e alvitrar sobre como os professores se devem comportar com os mesmos, resta-me perguntar : Será este vídeo a prova cabal das incompetências de uma boa parte da classe docente ou é a realidade nua e crua do Ensino em Portugal?

Written by Zé Trolha

Março 22, 2008 at 6:34 pm

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Monas lisas

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Não percebo nada de política. Aliás, eu e o Paulo Portas. Mas ninguém me pode impedir de opinar sobre o assunto. Porque, para infelicidade do governo PS, vivemos numa democracia. Além do mais, estabeleci uma meta pessoal: ultrapassar o Pacheco Pereira no que a opiniões néscias concerne. Eu sei que é uma tarefa difícil, mas ultimamente tenho assistido ao Sexta à Noite, com o José Carlos Malato – que me tem permitido recolher grandes ensinamentos de como os imbecis se comportam.

Segundo os especialistas (militantes do PCP, certamente), a manifestação, no passado fim-de-semana, dos professores foi um sucesso. Mas em quê, pergunto eu? No número que aderiu à «Marcha», só pode! Ou no número de respostas sem substância às perguntas dos jornalistas. “Em que ponto não concorda com o método de avaliação”, perguntava um jornalista. “A Ministra devia demitir-se”, resmungava um professor. Eram estas as respostas dos que ensinam o Futuro de Portugal.

Onde é que quantidade pode ser considerada sinónimo de sucesso? Basta observar o nosso Governo. A quantidade de chulos que são mobilizados para lá e o sucesso deste país é como o TGV: nunca mais aqui chega.

O sucesso desta manifestação, atrevo-me a dizer, não foi nenhum. Na segunda-feira, ao contrário do que Mário Nogueira, da Fenprof, pensava, a Ministra não foi tirar senha para o Centro de Emprego. Nada mudou. Como também não mudou nada para os professores. Continuaram a simular aulas. Alguns (o número tende a aumentar) continuaram a ser agredidos por alunos que continuam a irritarem-se quando alguém os interrompe no momento em que estão ao telemóvel com o colega da carteira ao lado.

Mas esses 100 mil ingénuos (o jargão técnico que uso entre amigos é outro, mas não pode ser reproduzido aqui) julgavam que o Primeiro-ministro iria ceder, como aconteceu no caso do Ministro da Saúde, a mais uma manifestação de rua? Era óbvio que não. Isso seria uma genuflexão perante as vozes dissidentes, que acusam o Governo de andar à deriva. E a voz suave do Sócrates, nas suas últimas aparições públicas, não lhe valeria de nada.

Porém, quem poderá ter sido beneficiado com esta marcha é o Luís Filipe Menezes que, no intervalo da desfragmentação do PSD, num acto populista, afirmou estar solidário com a classe docente. 100 mil é um número que não merece despiciendo se estivermos a falar das eleições de 2009. (Se as minhas previsões não estiverem erradas, 2009 será o ano da coligação PSD/PCP. Cruzes canhoto!)

No início da crónica aludi à democracia. Mas não fui democrático ao não inserir os alunos no problema. Como tal, e penso que são os alunos os maiores interessados na melhoria do ensino, acho que deveriam ser eles a outorgar ou não o método de avaliação proposto pela Ministra. Para isso bastava pedir aos alunos das EB´s do nosso país que, numa frase, expressassem a sua opinião sobre os professores.

As frases dos alunos com opiniões favoráveis não andariam longe de frases como esta: “Os professores merecem todo o nosso respeito, já que são eles que nos formam para o futuro.” Contudo, os alunos mais pessimistas escreveriam algo do género: “Os stores ção unx pregissozos,unx fdp.” Mais erro menos erro.

Creio, no entanto, que haveria uma grande divergência entre as opiniões favoráveis e as negativas. O que aconteceria à proposta da Ministra? Teria valido a pena a manifestação dos professores?

Written by Zé Trolha

Março 15, 2008 at 9:43 pm

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Anatomia e minudências

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Em primeiro lugar, quero estabelecer um ponto prévio. Eu sei contar até dez.

Como todas as situações banais que acontecem neste país, a gaffe, de Luís Filipe Menezes, “O PSD tem 150 mil militantes. Não são todos. Esses conto-os pelas mãos e são uma dúzia”, deu azo a comentários acintosos de um bando de apedeutas (que ao invés de ter sido conduzido ao Centro de Emprego, foi colocado a assinar «Opiniões» em jornais, ditos de referência).

Não vou citar nomes. Não por medo de represálias – infelizmente, não conduzo um Ferrari – mas porque não pretendo litigar com o Vasco Pulido Valente. Mais: não tenho intenções de o alertar para o facto de que uma caneta na mão, depois de se ter ingerido uma dose considerável de uísque, estimula textos idiotas.

É preciso reconhecer que o líder do PSD é licenciado em Medicina, não versado em números, ou mesmo em teorema de Pitágoras. Além de que pode ser anatomicamente possível. Mas vamos relativizar – porque a ter doze dedos, Menezes não seria a única aberração no meio político português.

Bom, o carrasco do Marques Mendes é um tosco que não sabe contar. Ele próprio, sempre que faz um discurso público, não se coíbe de o confirmar. Porém, com uma variação de carácter morfológica sintáctica do verbo contar [transitivo e intransitivo], conclui-se que o supracitado não é o único com dificuldades. E de uma forma pedestre e caseira: através da declinação do verbo contar.

Ora vejam: a cáfila que passou a semana a escarnecer da retórica do imbecil, que deu poleiro ao Santana Lopes, não contava que existisse uma Ministra da Educação com a intenção de submeter os professores a exames de avaliação, mas que na Grande Entrevista não soube explicar, à rústica da Judite de Sousa e ao leitor – que teve a oportunidade de assistir a um show de cinismo – como funciona esse exame na prática.

Os mesmos que têm chefes de redacção que dançam ao som de músicas pigarreadas por um tal de Belmiro de Azevedo, jamais contavam ouvir da boca de Rui Pereira, Ministro da Administração Interna, que 7 mortes, na mesma semana, na mesma cidade, não eram motivo de alarme. Quando há tempos atrás reforçou o policiamento no Porto, para evitar que um gangue (que de mau só tinha o mau gosto de ouvir 50cent) eliminasse um outro.

(O próprio ministro não contou os problemas que uma afirmação destas pode acarretar, mas, por sorte, teve um assessor que contasse por ele, e mudou de discurso. À hora que escrevo este texto, 2000 desempregados poderão sonhar com uma carreira na GNR.) 

Posto isto, apelo à calma dos colunistas – porque também erram nas contas. Eu próprio não sou excepção. Mas neste caso, acertei.

Written by Zé Trolha

Março 8, 2008 at 1:48 am

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Murro no estômago

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Ainda não me refiz do choque. Aliás, temo que, a exemplo da taxa de desemprego, demore 7 anos a recompor-me. Anos e anos a acreditar que o único ponto em comum com o Paulo Portas era a minha dentição branca, eis que levo este sopapo: ele não tem medo do Sócrates.

Só peço a Deus que nunca me falte o açúcar em casa – já que tem o mesmo efeito que o Prozac, e é mais barato – para me ajudar a sair desta depressão que esta surpresa me causou.

Queira, o leitor, saber que tinha aspirações bem mais elevadas para o tema desta crónica (a minha modéstia não me permite dizê-lo, mas o leitor sabe que textos melhores que os meus só os do Moita Flores, na TV Guia), mas a escassez de informação sobre a vida privada do Cristiano Ronaldo obriga-me a escrever sobre o possível aumento, em 50%, do pão.

O que eu posso escrever sobre o assunto? Nada. Corrijo: não comento parvoíces. Vocês acham que eu vou preocupar-me com o aumento do mata-bicho dos pobres, enquanto a ASAE embaraça os mais eficazes agentes culturais do país, os vendedores de dvd´s piratas? Como é que um gajo pode dar palpites para o Oscar de melhor filme, quando, como sucedeu este ano, os filmes ainda não tinham estreado nas salas de cinema? Pensem nisso com afago.

Bem, eu só coloquei essas duas interrogações para, como se diz em termos jornalísticos, preencher o maior número de caracteres. Porque eu só vou aborrecer-me com o preço desse derivado de cereal no dia em que a ASAE fizer uma inspecção nesse covil de putas, de paneleiros, de gatunos, etc, que é a Igreja. (Eu sei que o leitor estava a pensar na RTP, mas, paciência, estava errado.)

A peixeira serve o cliente de luvas, a padeira idem, o vendedor das bolas de berlim noblesse oblige… E o padre, quando nos proporciona a degustação da hóstia? Pois é, o tanas é que usa luvas.Eu não quero subverter a higiene dos párocos que espalham a vaselina, perdão, a palavra do Senhor aos jovens e idosas por este país fora, mas as últimas notícias sobre eles dão a entender que não são boa rês.

Para dizer a verdade, estou tão preocupado com a higiene deles como a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, está com as últimas manifestações dos professores. Eu no fundo só inventei esta escusa quando confrontado, pela minha avó, com a pergunta:“Porque é que não vais comungar, meu herege?” Eu até poderia responder-lhe com um “Vá chatear o caralho, meta-se na sua vida”, mas ela tem um relógio de cuco que vale uns trocos.

P.S: afastem-se dos amigos que vos pedem dinheiro emprestado. Corre o risco de ter o mesmo retorno que o dinheiro investido em acções do Millennium BCP.

Written by Zé Trolha

Março 2, 2008 at 3:07 am

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Chuva miudinha

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Nada. Isso mesmo. Nada. Fora a falência da confecção Corte e Cose, em Arruda dos Sumóis, levando 150 futuras telespectadoras do Você na Tv para o desemprego, não aconteceu nada de relevante, estes dias, neste país onde se aldraba o PDM, construindo-se mamarrachos nas encostas. Mas neste caso, nada que uma chuva mais atrevida não resolva. O que até facilita o trabalho aos Catterpilers municipais na hora da demolição e, por conseguinte, faz as câmaras poupar uns trocos em gasóleo. Já sabem, a CGD não está para brincadeiras, não dá crédito a ninguém.

Ah, já me esquecia. A confecção Bainhas Perfeitas, em Macedo de Caloteiros, também faliu. Mas, seguindo o exemplo das acusações do Bastonário da Ordem dos Advogados, teve fracos resultados. Só desempregou 30 leitoras do diário íntimo da revista Maria.

Já que tenho preguiça de escrutinar sobre o Exclusivo do Sócrates à SIC, em que os entrevistadores quase pediam desculpa a cada pergunta ao entrevistado, posso-vos adiantar quem serão os participantes da próxima manifestação no Largo do Rato. Tomem lá esta bomba. São os cães de raça poodle. Os lambe-cricas, perdão, os caniches. Mas primeiro vão aprender a mandar Sms´s – manifestação, portanto, a acontecer, visto estes possuírem um Qi superior ao do ministro Mário Lino, antes da eliminação de Portugal nos oitavos de final do Euro 2008.

Parece que estão revoltados com os índices de popularidade dos cães de raça rottweilers e pit bull, que se fartam de aparecer no Telejornal por morderem em pessoas. O Lulu, o caniche da D.Odete, é um dos mais indignados – ainda no outro dia cravou um dente canino no bordedo vaginal da dona e não houve um jornalista da TVI que se interessasse pelo caso.

Caro leitor, peço desculpa pela mediocridade da minha crónica, mas eu só quis mostrar à Fernanda Câncio, a tal que divide o cinto de ligas com o Sócrates, que ao contrário dela, nas crónicas do DN, consigo escrever crónicas medíocres sem recorrer ao português hermético (escrita armada ao pingarelho).

Beijos na boca ou abraços, consoante o gosto da freguesia.

Written by Zé Trolha

Fevereiro 24, 2008 at 6:26 pm

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Mediocridade em estado puro

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Esta semana, Portugal parou. Melhor: Portugal rejubilou.

Contudo, não foi com a demissão do Correia de Campos, ministro da saúde. (Já agora, sr. ex ministro, não se preocupe. Um dos laboratórios farmacêuticos que você beneficiou, no seu mandato, já tem um cargo de administrador reservado para si.) Muito menos com a substituição da ministra da cultura, Isabel Pires Lima, por um jurista, que só a comunidade pseudo-intelectual deste bairro conhece.

Este país, que persegue os fumadores, que pagam impostos, mas que ajuda os toxicodependentes – que confundem IRS com um psicotrópico – parou com a produção fotográfica, na FHM, da Luciana Abreu. A Floribela para aqueles que têm nuances sadomasoquistas (arranjem-me um termo que defina a patologia daqueles que assistiam à novela, com o nome da protagonista).

A produção fotográfica, tinha vindo a ser anunciada quase que ao nível de um Belerofonte para a crise. Aliás, só o facto de a revista sair para as bancas com um invólucro de plástico denunciava o preciosismo do seu conteúdo. Tudo isto para evitar matreiros como eu – que costumo folhear a Playboy, no quiosque, quando vou comprar o Público. Se queriam ver a moça em trajes quase tão transparentes como a corrupção no futebol português, teriam de pagar.

3€,revista na mão. Qualidade da produção fotográfica? Fraca. Corrijo: extremamente insossa. Fingida. Cabotina. Já chega. Não seria de esperar mais de uma coisa que tenha a mão da Merche Romero (não é por acaso que o Cristiano Ronaldo tem marcado golos desde que dispensou a mão dela).

Não quero ser bota-abaixo (isso deixo para o outro que assinava os projectos dos outros), mas as fotos da Luciana têm a mesma sensualidade das fotos que proliferam nos sites que o Bibi visita. Exagero? Não. Reparem no olhar de frete que a moçoila faz. Já vi fotos de meninas que, com uma arma apontada à cabeça, mostravam mais sensualidade. Estar de cuecas e sutiã, não chega. Um olhar prenhe de vontade de comer faz toda a diferença. Não é à toa que a Gisele Bundchen exige, agora, o pagamento em €.

Nem comento a entrevista, a páginas tantas, atabalhoada no meio das fotos. Por momentos pensei ter-me enganado e comprado a revista Maria. Só faltou ela dizer:“quero casar e ter muitos filhos”.

Fico-me por aqui. Não por não ter mais por onde dissertar, mas por ter a perfeita noção de que as minhas palavras têm, em vocês, a mesma receptividade que as do Marcelo Rebelo de Sousa. Não vos quero influenciar.

Written by Zé Trolha

Fevereiro 3, 2008 at 5:52 pm

Publicado em Actualidade, Televisão